08 de Setembro, 2021

Entrevista: Tecnologias e serviços que garantirão o futuro do seu provedor

Entrevista: Tecnologias e serviços que garantirão o futuro do seu provedor

Para conversar sobre XGS-PON, SD-WAN Open Source, Anti-DDoS, Engenharia de Tráfego e outras soluções desenhadas para maximização da performance, segurança e redução de custos, a Prosper Talks convidou, para seu 45º episódio do Prosper Talks, o sócio-fundador e CRO da Venko Networks, Fabrício Goetz, além do Diretor Comercial da Everest Ridge, Eduardo Meirelles.

Confira a entrevista completa abaixo:

Sandro Schleder: “Boa noite a todos, sejam muito bem-vindos. Estamos aqui para mais um Prosper Talks e nossa conversa de hoje é com Fabricio Goetz, sócio-fundador e CRO da Venko Networks, e com Eduardo Meirelles, Diretor Comercial da Everest Ridge. A nossa conversa é um painel de tecnologias/serviços que garantirão o futuro do seu provedor e de seus negócios.

Boa noite, Fabricio!”

Fabrício Goetz: “Boa noite, Sandro! Muito obrigado pelo convite, é um prazer estar participando com vocês deste evento. Fico à disposição para conversarmos e debatermos sobre temas tão importantes para nosso setor”.

Sandro Schleder: “Obrigado, Fabricio! Boa noite, Eduardo, tudo bem? Seja muito bem-vindo!”

Eduardo Meirelles: “Boa noite Sandro, Fabricio e a todos que estão nos acompanhando. Queria agradecer, pois é um prazer estar participando aqui com vocês, vamos ver o que conseguimos debater e falar sobre esses temas tão importantes que estamos colocando”.

Sandro Schleder: “Beleza! O Fabrício é engenheiro de formação, mestre em administração, possui MBA na Fundação Getúlio Vargas, tem passagem por mais de 25 anos de experiência no mercado, é executivo da Sales Executive & Value Engineerin (SAP), investidor Angel na Uol Aceleradora, junto comigo, colega investidor, né, Fabrício?

Agora é Chief Revenue Officer e fundador da Venko Networks. Conta mais um pouco da tua história empreendedora, da tua passagem nesses momentos, para nós, Fabrício”.

Fabrício Goetz: “Legal, Sandro! Bom, eu vou tentar fazer uma retrospectiva histórica bem rápida e dividir minha carreira em 4 etapas:

A primeira, como engenheiro e como uma pessoa mais vincula a área técnica, minha graduação é em engenharia elétrica, trabalhei em pesquisa e desenvolvimento em pesquisa e desenvolvimento do setor de telecomunicações.

Mas logo percebi que eu tinha mais características de negócio do que essencialmente na área técnica. Então, eu fiz essa migração, deixei de ser um engenheiro com viés técnico passando para a área comercial e eu desenvolvi ao longo dos últimos 20 anos basicamente atividades dentro do desenvolvimento de negócios.

Contudo, de alguma maneira, sempre acalentava dentro de mim o desejo de empreender e eu tinha um pedaço de frustração por não ter tido efetivamente tomado esse passo enquanto era empreendedor.

De certa forma, eu preenchi essa lacuna, trago a terceira fase profissional, onde eu me tornei investidor, primeiro Angel e depois participante de uma Aceleradora, na qual eu também sou membro, tanto como investidor, quanto da Diretoria.

Dessa forma, eu preenchi parte desse meu desejo de empreender ajudando outros empreendedores, ora fomentando financeiramente, ora através de mentoria, discussão, seleção das melhores ideias, posicionamento de mercado, e assim por diante.

Então, no ano passado, em uma situação bem diferente em função do ano de pandemia, eu resolvi, junto de um grupo de profissionais, fundar uma empresa em uma situação bastante inusitada.

O mundo estava se transformando de uma maneira radical e a gente quis transformar ‘esse limão em uma limonada’, quem sabe vamos pegar essa situação tão complexa em que o mundo está vivendo e a gente entendia que poderia ser uma oportunidade decorrente desse cenário, então, fundamos a Venko Networks.

Depois vamos conversar um pouquinho mais, mas essencialmente, no Brasil e na América Latina, ela (Venko) atua como uma integradora, ofertando serviços e produtos na área de telecomunicações. Um dos focos principais, se não o principal, são justamente empresas de telecomunicação, sejam elas provedores ou empresas tradicionais de telecomunicação”.

Sandro Schleder: “Bacana, Fabricio, Obrigado. Eduardo Meirelles é formado em ciência da computação, tem uma passagem bastante interessante como diretor executivo da Itcom Solutions, Denken IT, também dentro da Everest Ridge como diretor comercial e diretor de comercial e marketing, foi meu colega na Brasil Telecom, apesar de não nos conhecermos naquela época, né, Eduardo? Mas, ambos trabalhamos nessa empresa, hoje, conhecida como Oi. Conta um pouco para nós da tua história e caminhada”.

Eduardo Meirelles: “A minha formação também sempre foi técnica, eu sou DBA. Eu comecei parecido com o Fabricio, percebi que ser técnico não era muito meu negócio, né? Meu negócio era conversar e tentar pesquisar algumas oportunidades. Depois de muito tempo, eu saí do Pão de Açúcar, da Brasil Telecom, quando a gente (Sandro) trabalhou junto.

Então, surgiu a oportunidade de eu trabalhar em Santa Catarina e de lá, eu fui para uma empresa que tinha uma filial em Angola. Passei dois anos nesta empresa e quando voltei, eu estava com uma vontade de começar a entender um pouco e acabei empreendendo.

Então, essas empresas como Itcom, a Denken, foram virando, fizemos algumas fusões e chegamos na Everest em 2012, que foi fundada em 2010, somos uma empresa focada em Provedores de Internet, eu acho que hoje, uma empresa de consultoria e serviços somos uma que realmente focou em provedores de interenet e provedores.

Atualmente, 90% do nosso faturamento é com ISPs e operadoras, nós focamos e vimos que esse é o nosso negócio e desde então, estamos aí. Hoje, nós atendemos cerca de 80% dos grandes e médios, estamos trabalhando. Com a pandemia, nós entendemos nosso momento e começamos a mudar nosso portifólio.

Hoje temos nossa consultoria, mas também focamos na questão do Anti-DDoS, viemos com uma cloud privada, então estamos (não compreendi – 7:50), criamos a parte de história de backup e nosso source. Estamos focando, em 2021, em criar produtos para serem vendidos pelo ISP, então, são produtos White Label, que o ISP vai revender com a marca dele, esse é nosso foco e novidade para o mercado de provedores, neste ano”.

Sandro Schleder: “Bacana, Eduardo! Eu gostaria de provocá-los agora, para pensarmos um pouco mais, qual o futuro para o mercado de ISPs, no Brasil? Uma vez que possuí características peculiares que permitiram esse mercado ser bastante descentralizado, ao mesmo tempo que vemos convergência e consolidação acontecendo no mercado. E de acordo com vários levantamos das associações setoriais, nós temos um número grande, de milhares de clientes provedores dentro desse mercado. Como você enxerga, Fabrício, o futuro do mercado de ISPs, no Brasil? Depois eu passo a palavra para o Eduardo também”.

Fabrício Goetz: “Essa é uma pergunta bastante interessante e sem uma resposta precisa. Algumas características a gente sabe que já estão ocorrendo, como a consolidação, de pequenos provedores, em médios e provedores de cobertura nacional. Cada vez mais esse mercado tende a se consolidar por fusões e aquisições, esse é o primeiro ponto que é notório.

O segundo ponto que eu destaco é que cada vez mais os provedores que queiram sobreviver, terão que se readequar para deixar de ser meramente transportadores ou empresas que conectam os seus clientes, para oferecer serviços adicionais para além da conexão básica. Pois, para os clientes, pouco importa qual o tipo de tecnologia, qual o tipo de acesso, a experiência do usuário é o que conta.

Então, não existe em relação a diversos provedores, um diferencial puramente de acesso a conectividade, cada vez mais isso se caracteriza em maior nível por conta da pandemia e da necessidade todos estarem conectados, é que os provedores tenham no seu portfólio, produtos e serviços que ofertem uma melhor navegação, interface e experiência do seu uso.

No final, a conectividade é uma plataforma, mas o que realmente vai importar, é a aplicação e o que o usuário tem como experiência do serviço provido pelo provedor de internet”.

Sandro Schleder: “Bacana, Fabricio! Eduardo, como você enxerga o futuro do mercado de ISPs, no Brasil?”

Eduardo Meirelles: “Hoje, nós temos visto que a pandemia foi uma ‘oportunidade’ para o crescimento dos ISPs.

A gente tem observado ISPs crescendo bastante de investimento no mercado, isso está muito alto, vemos bastante grupos comprando gente, vemos essa consolidação acontecendo. É um mercado onde os grandes fundos também estão vindo, eles estão vendo que é um mercado bem lucrativo, porém, eu vejo alguns desafios, quais são eles?

Primeiro, a consolidação está acontecendo, mas os ISPs não estão organizados para isso. Durante muito tempo, o mercado foi vendo o preço, por exemplo, um ISP cobrava um acesso de 100Mb a 100 reais, enquanto o outro cobrava 90 reais e tentava ganhar no preço. Atualmente, os preços estão bem agressivos, a lucratividade já bem baixando bastante.

Mas o que acontece, eu tenho visto que os provedores, antes compravam qualquer equipamento, era tipo ‘coloca para funcionar, não importa o que tenha aí’. A gente vem verificando que hoje, pelos preços, o balizamento do cliente começa a ser qualidade, então, ele já não pode mais ser como ‘está funcionando, então está bom’, acho que isso começou a mudar.

Além disso, eles começaram a se organizar, porque se isso não ocorrer, eles vão sair do mercado, se não tiverem um caixa muito bem-feito, uma forma de investir. Antes, o provedor mesmo ia no poste, lançava a fibra, não pagava aluguel, hoje isso já não acontece mais.

Em São Paulo, por exemplo, a concessionária de energia está cortando a fibra de todo mundo que não está pagando.

Tem muita coisa que vem acontecendo, diferente de tempos atrás.

Eu acho que esse mercado é muito bom, crescemos muito, mas sem novos produtos, vamos morrer.

A internet por internet hoje, está muito commodity, eu tenho grandes clientes que, hoje, estão dando internet para o cliente, mas colocando também uma solução de firewall, por exemplo, eu te entrego firewall, mas também te dou 100Mb de banda para você trafegar o quanto quiser.

Então, eu acho que se os provedores não começarem a abrir os olhos, nesse sentido de produtos novos e como fidelizar o cliente, não só mais pelo triple play de internet, voz e televisão, o provedor vai ficar para trás e começar a perder o mercado”.

Fabrício Goetz: “Aproveitando o gancho do Meirelles, eu queria fazer um comentário. Existe um ditado que diz: “É mais fácil uma empresa morrer de congestão, do que de fome”, ou seja, o mercado está comprador, a demanda por conectividade está aumentando cada vez mais, é difícil um provedor fechar por falta de clientes, a demanda existe.

Entretanto, essa demanda crescente implica em saber crescer e estar preparado para isso. Essa estruturação, seja pelo ponto de vista técnico, seja da infraestrutura, seja da oferta de produtos e da governança/gestão da companhia, ela se torna mais complexa.

Fazendo uma metáfora, é aquele que tem um pequeno estabelecimento, que começa a crescer, daqui a pouco vira uma cadeia de duas, três lojas na cidade e em seguida, está a nível regional e eventualmente, assume uma dimensão nacional, ou seja, a complexidade de gestão e as preocupações de manter uma empresa de cobertura nacional são completamente diferentes de manter uma empresa pequena regionalizada no seu munícipio.

Então, essa é outra característica que o perfil do executivo e do profissional que atuam nos ISPs também precisa mudar, abrir a cabeça para tecnologias novas, para abordagens diferentes, não ficando no lugar comum, que é aquela disputa, conforme o Meirelles falou, de preço em cima de uma oferta bastante ‘comoditizada’.

Então, a diferenciação é novos produtos, uma capacidade tecnológica de sair da vala comum é fundamental para o crescimento do setor e das empresas que sobreviverão nesse novo mundo”.

Sandro Schleder: “Bacana, Fabricio! O que a gente está vendo hoje em dia? Vemos uma movimentação grande, vemos o Brasil com mais de 98% dos seus municípios ‘fibrados’, além de uma crescente importância dos provedores nesse cenário e realizando essa entrega para toda a população. Então, precisamos entender a importância desses fornecedores de serviço para poder chegar à universalização desse tipo de serviço.

Eu queria levantar uma outra conversa, que é pergunta também, relacionada a irrealidade do negócio, pois hoje a gente tem um home school dentro de casa, um home office acontecendo, temos alguém na sala vendo televisão, assistindo alguma serie ou filme, outra pessoa trabalhando na casa, consumindo a mesma conexão, ou seja, mudou um pouco o perfil de consumo da internet, nesse período.

Então, qual a importância dessa caminhada, onde só conseguimos atender a quantidade de munícios através da força dos ISPs que vêm crescendo nos mais longínquos lugares desse país? Desde passando por dentro de uma lavoura de soja, em uma fazenda de camarão, por dentro do meio do mato, muitas vezes atravessando rio nós vemos o provedor chegando lá e fornecendo serviços de qualidade ali na ponta. Eduardo, começamos contigo, depois eu passo a palavra para o Fabricio”.

Eduardo Meirelles: “Legal! Atualmente, nós vemos os dados no site da Anatel, a gente já verifica que os ISPs vêm ganhando muita força, hoje, em questão de fibra, os ISPs já passam de 50% da fibra óptica no Brasil. Então, a gente vê que as grandes operadoras estão investindo em backbones. Se notarmos, as grandes têm bastante fibra, dentre outras coisas, mas nas grandes metrópoles.

Porque imagina a diferença de uma operadora para passar um cabo para atender uma rua ou uma cidade, para um provedor de internet que fala ‘cara, a gente tem fibra e vamos atacar a cidade tal’, ou seja, a velocidade é muito diferente. Para mexer em uma máquina de uma operadora, estamos falando de anos de planejamento para ‘fibrar’ uma cidade.

Então, qual que está sendo o diferencial? Se você começa a notar a qualidade de serviços, eles são equivalentes, talvez os ISPs estejam com mais qualidade que as grandes operadoras.

Por exemplo, se romper uma fibra na minha casa, eles têm 48h para solucionar o problema, o ISP não me deixar esse tempo sem internet. Os provedores têm agilidade, flexibilidade, entendem do negócio. Dessa forma, eles vêm crescendo muito, se notarmos o marketing Search de operadoras versus ISPs, os provedores estão crescendo bastante.

Agora, a gente começa a ter algumas coisas que chamam a atenção, por exemplo, as redes neutras, o que vai ser disso? Tem dois lados nisso: O lado bom é que eu posso montar um ISP e atender o Brasil inteiro, através da rede da alguma operadora.

Vocês estão aí em Porto Alegre, eu falo ‘quer a internet na sua casa? Amanhã eu instalo para ti’, tem essa facilidade. Em compensação, eu vejo uma dificuldade muito grande das grandes operadoras conseguirem fazer essas entregas, fica difícil porque o ISP, em si, ele não vai querer ‘entregar o quintal da casa dele’, né? Não vai! Então eu vejo isso como uma grande dificuldade.

Então, tem o lado bom dessa neutralização de redes, mas eu vejo com dificuldade de literalmente de perfil mesmo, eles não vão conseguir entrar nessa, é besteira eu entregar o que eu tenho para conseguir pegar uma rede virtual. Hoje, nossa realidade é: estamos onde estamos porque o Brasil é um país continental, estamos nesse patamar de tecnologia e conectividade graças aos ISPs, porque se ainda dependêssemos ainda das grandes operadoras...

Então, qual é o grande movimento que eu vejo, pelo menos aqui em São Paulo, onde eu assino as grandes operadoras, eles estão fazendo apenas projetos de backbone e comprando a última milha para atender quem precisarem. Então compram a última milha de quem?

Acabam colocando isso para os provedores. A rede neutra acaba trazendo a concorrência, que é bom para todos, é uma coisa boa, mas eu vejo isso como uma oportunidade, eu penso assim, pelo menos”.

Sandro Schleder: “Bacana, Eduardo, muito bom! Fabricio, o que tu pensas desse tema da importância dos ISPs e na mudança do perfil de consumo?”

Fabrício Goetz: “Primeiro ponto: na famosa pirâmide de Maslow, que tinha aquelas necessidades básicas, a comunicação está na base da pirâmide. Nenhuma empresa ou pessoa consegue sobreviver ou estar inserida no mundo atual sem uma conectividade 24/7. 

Então, é imperioso que a gente consiga prover as pessoas e as empresas, de uma maneira geral, uma conectividade de uma altíssima qualidade.

Segundo ponto, que também foi abordado pelo Meirelles é a questão de agilidade. O próprio Darwin, há mais de duas anos, falou que quem sobrevive ou aquele que vai vencer não são os maiores ou mais fortes, são aqueles que são mais ágeis e rápidos.

Tamanho não é documento no nosso setor, se você tiver uma capacidade de prover atendimento com qualidade, produtos diferenciados e uma tecnologia inovadora, você vai conseguir cada vez mais espaço.

Outro comentário que o Meirelles fez em relação a utilização de redes de outros, para prover os seus próprios serviços, enquanto provedor, é uma realidade muito latente e muito real, através de utilização de umas tecnologias, como o famoso SDN, redes dimensionadas por software que eu posso a partir da minha estrutura, inclusive utilizando fibra de outro provedor, atender o meu cliente regional ou de cobertura nacional, ou seja, eu não tenho a necessidade de ter a conectividade nas minhas mãos, eu posso usar o acesso de terceiros e prover um serviço over-the-top.

Eu consigo a partir da rede que ele tenha, prover o meu serviço, só que isso implica em se atualizar tecnologicamente, como também do ponto de vista de capacidade de prover esse tipo de serviço.

Outro aspecto também que eu acho extremamente relevante, é que ele é um pouco mais social, digamos assim, mas, embora todos sejamos empresários, é que nosso setor tem que ser orgulhoso de estar desenvolvimento nosso país.

Nos quatro cantos, Oiapoque ao Chuí, de Leste a Oeste, os provedores de internet e as empresas de telecomunicação são sim molas propulsoras de todo crescimento do nosso país. Se pensarmos no setor de agribusiness, que está crescendo muito e é a bola da vez, o Centro-Oeste brasileiro, o Mato Grosso, toda essa região, tem muito a se desenvolver e no arrasto de todo esse desenvolvimento as oportunidades para o nosso setor se tornam cada vez mais pujantes.

Então, é o compromisso entre prover o serviço e em contrapartida, a gente ter mais oportunidades, justamente pelo fato de estarmos ajudando essas regiões a se desenvolverem e crescerem”.

Sandro Schleder: “Muito bacana essa contribuição também, Fabricio. O que a gente vê é um setor bastante interessante e pujante, que cresce uma demanda bastante imprimida, e que necessita de ampliação de qualidade de todas as alternativas de serviço. Enquanto clientes, nós somos clientes, né?   Hoje, estamos em Florianópolis, Santa Catarina, mas outro dia, estávamos em Porto Alegre, outro dia viajando para outro lugar, e sempre que estamos chegando em um ambiente, precisamos de uma infraestrutura bacana para poder conseguir trabalhar e executar nossos serviços.

Eu queria pensar um pouco junto com vocês e refletir aqui, quais as novas tecnologias que vão transformar a realidade desse negócio do consumo de banda do formato que a gente conhece hoje. Tem uma ‘sopa de letrinhas’ que a gente começou a entrar aqui, que é o GPON, XGS-PON, que diferença é essa? É essa tecnologia que vai mudar essa caminhada? Porque nós estamos consumindo de maneira diferente. Hoje, fazendo uma conferência dessa, ao mesmo tempo que estamos transmitindo dados, estamos recebendo informações, então, tem uma situação que precisa ser equalizada. Fabricio, começa contigo e depois passamos para o Eduardo”.

Fabrício Goetz: “Conforme eu falei, meu diploma de engenheiro está aposentado a praticamente 20 anos, mas, o básico para dar o entendimento dessas tecnologias eu acho que sou capaz de conversar.

Bom, a maioria, eu diria que a totalidade dos provedores de internet, utilizam a fibra óptica para acesso aos seus clientes, em cima de um padrão definido pela Comunidade Internacional de Telecomunicação que é o GPON.

E qual a característica básica do GPON? É uma característica de assimetria, ou seja, a velocidade permitida no downlink é de característica maior que o uplink, ou seja, a característica típica de alguns anos atrás mudou, a gente ficava assistindo, baixando filmes e séries, mas não gerávamos conteúdo, isso hoje mudou. Agora nós somos geradores de conteúdo.

Então, o GPON tem essa limitação, eu tenho uma assimetria, eu consigo baixar com uma velocidade maior do que consigo transmitir. Houve uma primeira evolução, o GPON tem 2.5Gbps de downlink e 1.25Gbps de uplink, em cima de um mesmo ramo GPON, eu consigo colocar até 128 clientes.

Houve uma evolução que não foi um sucesso comercial e técnico muito grande mundo afora e no Brasil, praticamente não é utilizado, que é o XG-PON, que também é uma tecnologia assimétrica, de 10Gbps de downlink e 2,5 de uplink, mas não foi um sucesso.

Recentemente, faz uns três anos, um novo padrão foi instituído, chamado de XGS-PON, onde a principal característica é a simetria, ou seja, eu tenho velocidade de 10 Gbps, tanto de downlink, quanto de uplink.

Além disso, uma característica extremamente importante e que se torna relevante para os provedores que utilizam a tecnologia GPON, é que eu posso usar a mesma fibra, compartilhando essas duas tecnologias. O que significa isso? o cumprimento de onda de transmissão de GPON é diferente do cumprimento de onda do XGS-PON, tanto no downlink como no uplink.

Fazendo uma metáfora, é como se tivesse a mesma estrada, circulando alguns veículos, e eu conseguisse dentro dessa mesma estrada, sem precisar aumentá-la, eu utilizar um espaço virtual para trafegar com mais velocidade com outros veículos. Ou seja, a adição de novos veículos nessa mesma estrada não vai causar um congestionamento, porque estão em bandas e frequências diferentes, permitindo que o provedor que já tem sua rede estruturada em uma cidade, ampliar de maneira relevante sua capacidade de atender mais clientes.

E com essa característica, que ela é hoje, quase imperiosa para o mercado corporativo, de ser banda simétrica, que vai estendendo essa característica e demanda para o cliente residencial, hoje eu não tenho na minha casa uma internet simétrica, mas certamente eu gostaria que assim ela fosse.

E tem mais outro ponto, que não está diretamente ligado com a tecnologia de acesso, mas, nas medidas que eu consegui ter uma velocidade simétrica, novos serviços de características diferentes podem ser incorporados à rede, como oferta ao cliente final.

Sendo assim, essa pequena observação que eu queria fazer em relação a essas tecnologias, eu vou resumir: ela da simetria, aumenta a velocidade substancialmente (ou seja, de 2,5Gb passa para 10Gb, multiplicando por 4 a velocidade), e ao mesmo tempo usa utiliza a mesma infraestrutura de fibra, dessa forma, não é necessário lançar uma nova fibra, fazer um projeto, buscar aprovação e tudo mais.

Eu uso a infraestrutura que eu já tenho (de acesso), e apenas dou uma ‘acelerada’ na minha capacidade de prover quantidade e velocidade aos clientes”.

Sandro Schleder: “Muito bom! Interessante, porque o investimento feito para ter essa infraestrutura é bastante amplo e forte, feito por todos que tem suas iniciativas no setor, então é uma maneira de potencializar aquele investimento que já foi realizado”.

Eduardo Meirelles: “Só para eu complementar um pouquinho o que o Fabrício disse. Eu vi um estudo, acho que no Japão, onde eles colocaram a fibra óptica para ver a capacidade total dela, eu me recordo que com equipamentos, a limitação foi dessa forma, mas eles conseguiram bater 2.4Tb, isso lá atrás. Hoje, a limitação que temos é em relação aos equipamentos, porque a fibra que é o meio físico está mais fácil, acho que é o mais custoso. A gente inicia aqui bastante redes de provedores e tivemos realmente um aumento de banda bem exponencial. Eu tenho clientes que aumentaram 80%, tanto de download, quanto de upload. Mas, o que acontece? Nós, que estamos nesse ramo, antes víamos velocidades bem inferiores”.

Sandro Schleder: “Eu vendi 512Kb, e eu não sou tão velho assim!”

Eduardo Meirelles: “Eu ia falar isso! Assim, quando a gente estava em Angola, eu não me recordo direito, mas era em meados de 2010, a empresa que eu trabalhava tinha 512Kb e era o melhor link do país.Era surreal, a gente navegava com 512Kb, a gente conseguir fazer o MSN funcionar com vídeo, era demais. Depois veio o Skype e foi melhorando, mas hoje, a gente usar essa velocidade? A gente nem sabe o que é isso.

Meu pai mora um pouco mais afastado de São Paulo e lá, só tinha o Speed, que era par metálico, tinham apenas 4Mb e falava que era muito melhor. Hoje eu tenho 200Mb na minha casa, sou eu, minha esposa, uma recém-nascida de 32 dias, e minha filho de 5 anos que assiste vídeos o dia inteiro.

Assim, hoje em dia já venho o 4k, então já falamos de 10Gb como se fosse nada, e as pessoas reclamam que o valor do Mega está caindo, que tem gente pagando dois, três reais, sem impostos, mas antigamente a gente comprava 1Gb, hoje você está comprando 10Gb, mas a lucratividade continua sendo a mesma. A diferença nisso é que hoje você tem que pensar e planejar os equipamentos.

Antes tínhamos o Tecpon e o EPON, quem investiu se deu bem. Eu tenho um cliente que tinha EPON para 64 mil assinantes, ele tinha acabado de colocar, ele me disse ‘chegou o concorrente com o GPON e está tirando todos os seus clientes’, eu falei que ele ia ter que reinvestir porque estava investindo errado, ele achou que estava melhorando a tecnologias, mas estava atrasado.

Se o provedor não se programar, se não pensar em equipamentos melhores, mais parrudos, inclusive, para a casa dos clientes, ele vai ficar para trás. Eu tenho um cliente de Macapá que eu pergunto para ele ‘você entrega 1Gb?’, e ele me responde que me entrega 1000Mb, porque 1Gb na verdade é 1024Mb. Ele brinca com isso porque os clientes confundem 1Gb com 1Mb.

Estamos falando de 1Gb, é muita coisa, é muita banda. Hoje, tudo é conectado, eu estou com o computador, celular, relógio, dentre outras coisas conectadas na mesma rede.

Eu faço até uma brincadeira que o cliente final deixa de pagar a luz, mas a internet não, ele fala ‘minha internet não pode faltar’. Vocês já se imaginaram, hoje, sem internet? Isso não pode faltar, imagina vocês sem e-mail, ou sem o celular com WhatsApp? Não tem como, não conseguimos nem imaginar isso!

Então, de novo, sobre provedores: se não se planejarem, comprarem certo, fazer um bom planejamento, como disse o Fabricio, não só financeiro, mas também técnico e de gestão, esse provedor vai ficar para trás”.

Fabrício Goetz: “Acrescentando um ‘tempero’ na nossa conversa, e na esteira que comentou o Meirelles também, para além do acesso, eu acho importante que a gente faça a discussão de outra temática. Uma coisa que está ocorrendo no setor de telecomunicações, que aconteceu há mais tempo dentro dos datacenters, é a desagregação do hardware e do software.

O que acontecia há 20 anos no datacenter? Eu tinha um computador para cada uma das aplicações que eu precisava rodar no datacenter. Se eu tinha um RP, eu comprava uma máquina para ele, se eu tinha um CRM, eu comprava outra máquina para rodar ele. Se eu tivesse um aplicativo de bilhetagem, eu fazia o mesmo processo.

O que denotava isso? A primeira coisa é a falta de otimização dos meus recursos computacionais, porque, eventualmente, eu tinha uma máquina rodando praticamente a vazio e outra máquina no limite, sendo que essa última tinha que ser atualizada.

O segundo ponto é uma certa dependência a máquina e software.

O hardware e o software eram quase que casados. Sendo assim, os datacenters notaram que não precisavam mais disso, eles poderiam ter uma grande máquina, tinha um orquestrador que tinham várias VMs (Máquinas virtuais), em cada uma dessas máquinas virtuais em instalava aplicações, um CRP, CRM, e assim por diante. Isso antes da nuvem. Depois, essa ferramenta se tornou um conceito mais amplo e difuso de conceitos de realidade de máquinas virtuais em todos os pontos.

Mas no setor de telecomunicações, a gente tem percebido uma tendência que é muito forte nos EUA e na Europa, assim como está começando no Brasil, que é a desagregação do hardware e software.

Essa solução se baseia em, ao invés de eu comprar soluções de um fornecedor que me obriga a comprar sua caixa e a aplicação, eu compro uma caixa genérica, que seria equivalente lá para o datacenter a um grande computador, e é um computador genérico, não na característica de ser menos valoroso do que um computador para um propósito específico.

Mas justamente porque ele pode rodar diversas aplicações diferentes, ele vai ter um prazo de sobrevida muito maior do que um hardware que foi desenhado especificamente para rodar uma aplicação, além de gerar uma não dependência de um único fornecedor.

Então, seria uma máquina de conceito branco, ou White box, sendo um hardware genérico, rodando um sistema operacional que tipicamente é um Linux e em cima desse sistema eu consigo colocar diversas funções de rede virtualizadas.

Assim, eu consigo transformar uma caixa branca, com um sistema operacional simples e genérico (como Ubuntu, por exemplo), eu tenho a possibilidade de rodar várias funções, como a de roteador, de SD-WAN, de firewall, uma face de dispositivos IoT, dispositivo de segurança e monitorando ou um PABX virtual.

Enfim, na mesma caixa, ela esta habilitada a rodar diversas funcionalidades. O grande benefício dessa solução é que eu consigo em cima de um mesmo equipamento, incorporar ou eventualmente retirar algumas das funcionalidades.

Eu vou usar uma outra metáfora para tentar explicar isso: na nossa residência, quando estamos tentando montar uma cozinha, nós temos que comprar diversos produtos, como uma geladeira, uma micro-ondas, um fogão, ou seja, eu tenho equipamentos distintos para cada uma das funcionalidades que eu gostaria de desempenhar.

Se eu tivesse condições de ter um único equipamento, eu aplicaria uma função de software que faz com que aquela máquina tenha função de micro-ondas e quando eu não precisar mais, eu troco o software e ela vira um congelador.

Não seria muito mais otimizado? No ponto de vista de racionalidade, tanto de espaço, quanto do meu investimento, fazer com que a máquina possa desempenhar funções diferentes. Esse é o conceito de função virtualizada de rede.

Dessa forma, ele se torna mais atrativo e flexível quando o meu equipamento é aberto, terminando esse conceito de se tornar refém, ou o termo usado é o vendor lock-in. Isso resume-se em comprar uma determinada máquina e ficar refém daquela marca, se eu quiser colocar uma nova função virtual, eu terei que comprar outro equipamento ou pagar uma licença para aquela máquina, sem conseguir colocar de outro fornecedor.

Esse conceito está sendo imposto pelas operadoras europeias e americanas, dizendo assim ‘eu não aceito mais me tornar um refém, eu quero que meu equipamento seja genérico e eu possa manipular as funções de rede de acordo com minhas necessidades, na velocidade com que eu queira, e mais do que isso, ter a capacidade de escolher o fornecedor da minha solução’.

Na mesma máquina que eu tenho um roteador da marca x, por alguma razão eu quero mudar para a marca y dentro da mesma máquina, simplesmente reinstalando um software.

Lógico, todo esse conceito ele tem por trás uma retaguarda de gestão, preparação, treinamento, ou seja, não é uma passagem de um dia para outro, inclusive, não se recomenda fazer essa revolução, ou bigbang, não se recomenda trocar tudo de um dia para o outro.

Mas, vocês enquanto empresário do setor, que gostariam de estar preparados para otimizar sua rede para oferecer melhores serviços para seus clientes finais e ter uma série de benefícios, tanto do ponto de vista de investimento, quanto gestão da sua rede, é uma dica que eu considero bastante relevante: pensar nesse conceito de função virtualizada de rede e utilização de equipamento genéricos que não impõe essa situação de não se tornar refém de um único fornecedor”.

Sandro Schleder: “Fabricio, essa revolução dá para fazer até o fim do mês ou não?”

Eduardo Meirelles: “Eu ia até falar isso. A gente tem o melhor exemplo que é o aparelho celular, que faz tudo, inclusive faz ligação hoje em dia! Se formos notar a gente não precisa de um notebook para mais nada, a não ser pela facilidade para digitar. O celular tem tudo que você precisar, entretenimento, trabalho, está tudo ali.

Uma revolução legal que o pessoal no Brasil tem feito, a gente falou em GPON e eu lembrei, hoje em dia, temos fabricantes de GPON no brasil, que se você comprar o LTE qualquer ONU que você colocar vai funcionar. Então, já está aberto, o que eu conseguir vender, vai funcionar e vice-versa.

Fabrício Goetz: “Respondendo a provocação do Sandro, se vai estar pronto quando. Na verdade, já está pronto. A Venko Networks já está oferecendo no mercado nacional, bem como na América Latina, como um todo, a gente representa alguns fabricantes, tanto de hardware, quanto de software, nesse conceito de liberdade de escolha.

Um ponto importante é que você não precisa começar revolucionando tudo, você pode começar aos poucos. Quem sabe, eu sou provedor de internet que tipicamente atendo meus clientes com circuitos MPLS em uma determinada região, mas o meu cliente final gostaria de uma experiência diferente. Talvez maior disponibilidade, redução de custos ou uma cobertura em uma região onde eu não tenho fibra, que eu precise utilizar a estrutura de acesso de um outro provedor parceiro, esse mundo está cada vez mais colaboração e menos de competição.

Nós também enquanto provedores temos que entender que vale a pena a gente ‘dividir o bolo’ para que todos cresçamos, ao invés de cada um ficar apenas restrito à sua região, a gente pode abrir novos horizontes utilizando a infraestrutura de provedores em um regime de colaboração.

Agora, para que isso ocorra, essa tecnologia de dimensionamento de rede através de software é imperiosa, eu não consigo fazer a gestão disso de uma maneira tradicional. Como eu comentei antes, se você tem um cliente que gostaria de fazer uma experiência, o exemplo que a gente sempre utiliza, o varejista no interior do Brasil, eu tenho regiões onde a capacidade e a disponibilidade são muito ruins ou ela está restrita a um ou outro acesso.

Nesse cenário, eu consigo dar ao meu cliente final, o varejista, na sua loja, no interior do Mato Grosso do Sul, uma composição de dois ou três links, que podem ser de fibra do provedor, um celular (LTE) ou de um satélite, mesmo que essa infraestrutura não seja do provedor, eu vou ofertar o cliente final, que é meu cliente, uma experiência de uso de melhor qualidade e disponibilidade, sem que eu tenha controle e propriedade sobre o acesso.

O que eu vou ter propriedade é na gestão, administração e monitoria de todos esses links do meu cliente final. E com essa tecnologia e conceito de SD-WAN, por exemplo, eu vou transpor essa barreira de acesso, eu vou poder ofertar serviços agregados ao meu cliente, eu posso, daqui a pouco, ofertar ao varejista internet para o cliente da loja, eu posso através de um SD-WAN fazer todo esse tipo de configuração”.

Sandro Schleder: “Isso é muito bacana, Fabricio, muito joia! E para ter essa caminhada, de certa forma o próprio cliente na ponta, em termos de provedor, uma solução, ele vai precisar de um planejamento financeiro, tributário e de investimentos, ele precisa otimizar essa relação que ele tem com os investimentos já realizados, para os investimentos que ele precisa fazer para fazer essa transformação dele. E isso é especialidade da casa, quem conta com especialista vai mais longe, o objetivo da nossa conversa é a gente trazer as novidades, e ao mesmo tempo refletir sobre melhores práticas.

A gente está encaminhando mais para o final da conversa, eu gostaria que vocês trouxessem alguns cases que vocês consideram interessantes, de clientes que tiveram um resultado bacana dentro da solução de vocês, em termos de resultados, começando pelo Eduardo. E pensando também um pouco mais sobre as soluções que foram aplicadas, que tipo de retorno esses clientes conseguiram ter dentro dessas soluções, através dos cases de negócios?”

Eduardo Meirelles: “Legal! A gente tem cases aqui, e um deles a gente chama de engenharia de tráfego, esse é bem sensível para o cliente final porque geralmente o resultado é muito bom. Temos um provedor no Sul do país, que a gente conseguiu economizar fazendo esse serviço, é um case que também está no nosso site, replanejando, redesenhando todo blackbone, entendendo seu tráfego, conseguimos economizar 600 mil mensais de compra de link, de transporte, conseguimos economizar bastante.

Outro case bem legal, que é um marco para nós, é o full ip da Eletronet, a gente conseguiu em 3 meses que eles fossem classificados entre os 100 melhores do mundo em conectividade.

Assim, temos alguns cases com cloud, onde retiramos dos clientes, inclusive, se o Fabricio quiser usar nossa cloud para instalar seus serviços, contem conosco. Atualmente, os clientes colocam tudo na nuvem, datacenters, não tem mais por trás um menininho de fone cuidando de um hack cheio de computadores, isso não existe mais e nem pode acontecer.

Foi como disse o Fabricio, ele tira do servidor, antes era um servidor por RP, um para o banco de dados, um servidor para o AB. Atualmente, ele tem um hardware grande em um datacenter, outro hardware grande em redundância, pois se um lado cair, já tende para o outro.

Lá atrás, a gente via a VM, virtualizando servidores, a gente achava aquilo fantástico, mas não acreditava naquilo. Hoje, a gente nem imagina viver sem a VM, isso vem acontecendo com os serviços de rede, atualmente, nós temos serviços de roteadores virtualizados, é uma licença, mas você coloca em uma VM e leva para onde quiser.

Hoje, nós rodamos bastante SD-WAN aqui, temos bastante empresas com essa tecnologia. Lógico, temos muita gente que tem caixa, preferimos, entre aspas, entregar em uma caixa bonitinha do que chegar com um servidor gigante. Mas, tudo tem um lado, eu acho que a virtualização, essa ideia de tirar o software, que é basicamente tudo hoje em dia, mesmo que esteja embarcada por uma caixa, nada mais é do que um software.

A Sky, por exemplo, nada mais é que um servidor, um computadorzinho, que tem o HD para gravar os filmes e os outros programas, tudo embarcado em um software, eu acho que isso é o futuro. E o Fabrício está bem a frente do nosso tempo, já com uma estrutura legal, pelo que eu entendi, já com tudo pronto, então estamos no futuro”.

Fabrício Goetz: “Bacana, Meirelles! Bom, eu vou fazer o comentário assim, vou dividir a nossa proposta de valor e vou dar exemplos em relação a isso em três grandes aspectos:

O primeiro é a maximização da infraestrutura de fibra óptica. Eu consigo fazer com que o provedor multiplique, é o ‘milagre das multiplicações dos pães’, ele vai multiplicar sua capacidade de rede sem a necessidade de fazer um deployment de mais fibra, tanto em velocidade, quanto em quantidade de clientes atendidos.

E tem mais um detalhe, eu posso fazer uma extensão de rede, por exemplo, se eu tenho um pop que já chegou no seu limite, eu posso utilizando a fibra que já atende aquele pop, usando uma tecnologia XGS-PON. Assim, fazendo um backhaul e tornando aquele pop com mais uma capacidade de fazer um pop adicional, ou seja, eu faço uma extensão da fronteira da minha rede sem investimentos substanciais de rede.

Nós temos casos de, desde provedores, até operadoras maiores, com esse conceito sendo implementados, com ganhos de, principalmente, a não necessidade de investir mais, dentro da mesma infraestrutura eu consigo multiplicar minha capacidade”.

Sandro Schleder: “Sem retorno de investimentos já feitos, ou seja, é mais resultado frente a um investimento que já foi pago”.

Fabrício Goetz: “Eu maximizo meu ativo. Lógico, eu vou ter que ter uns eletrônicos adicionais na minha rede para potencializar isso, mas frente ao custo de deployment de rede, isso é insignificante. Outra coisa, tem um ganho que é intrínseco que é time-to-market, eu não preciso esperar para construir uma rede nova, eu já utilizo a rede que eu tenho para aumentar a minha capacidade.

O segundo ponto é a questão da eficiência operacional.

Assim, eu vou trazer para o conceito dessa caixa genérica, esse servidor White box que eu coloco na ponta, através de SD-WAN e outras funções de rede, eu otimizo desde a parte de instalação, monitorando, controle de uma série de coisas, uma coisa que as empresas não se dão conta, mas o fato de precisar de enviar um técnico a campo no cliente, isso gera custo, desgastes e uma série de processos adicionais que podem ser resolvidos de maneira remota através de uma tecnologia mais avançada. Ou seja, eu tenho ganhos significativos da ordem de 20%, 30%, 40%, nas despesas relacionadas a trabalho de campo pois eu não preciso mais deslocar o técnico para fazer eventualmente uma manutenção que pode ser feita por software”.

Sandro Schleder: “Dá para concentrar esse recurso de equipe para ativar novos clientes e não para retrabalhar aqueles que já estão na base”.

Fabrício Goetz: “Exatamente! A gente costuma dizer que, embora a gente goste de realizar exercícios físicos, é melhor utilizar a cabeça. Se vocês pedirem para mim ‘eu não vou oferecer mais músculos a vocês, mas eu vou oferecer mais neurônios’, ou seja, vamos utilizar a nossa função mais nobre, que é a inteligência, para pensar coisas novas, fazer relacionamento com o cliente, definir novos produtos e não fazer um exercício operacional e braçal que não tem sentido, uma vez que podemos construir isso de maneira inteligente através de recursos de software.

E o último ponto, essa liberdade de escolha e essas plataformas abertas te dão uma vida muito grande em relação aos investimentos que você precisa fazer.

O que eu quero dizer com isso, o momento que você adquirir o White box, uma caixa genérica, ela terá uma sobrevida muito grande, porque se por alguma razão eu mudar minha tecnologia de software, eu não preciso jogar fora essa caixa.

Eu posso remanejar colocando outro software, ou eventualmente essa caixa já não atende os requerimentos de performance e banda de um cliente muito importante, eu pego essa mesma caixinha, limpo a memória dela, instalo uma nova aplicação e coloco para um cliente que não precisa dessa demanda tão qualificada de performance.

Eu tiro de um grande cliente, por exemplo, que demande de 1Gbps de tráfego, portanto, eu preciso dessa caixa mais bem dimensionada.

Eu também tenho outros clientes que demandam de 10Mb ou 20Mb para atender um pequeno varejista ou seu PDV. Assim, eu posso reutilizar esse equipamento ao longo do seu ciclo de vida, por diversas vezes, sem a necessidade de compra de novos equipamentos, além de expandir o prazo de utilização de vida útil do equipamento, eu posso remanejá-lo de acordo com a demanda.

Então esses três pontos fundamentais eu diria que são: otimizar a rede de fibra óptica, conseguir uma melhor eficiência operacional da sua companhia, decorrente também a melhor utilização do seu CAPEX, e por fim, um equipamento com uma sobrevida e flexibilidade bastante grande para as coisas que eventualmente a gente nem sabe que virão.

Tem tantas coisas que a gente não tem nem ideia do que irá acontecer daqui 2, 3 anos, imagina se a gente fizesse uma retrospectiva, há dois anos, todos disséssemos que ninguém mais trabalha no escritório, todo mundo trabalha de casa, iam achar que eu estava brincando, hoje é a realidade.

Então, a gente não sabe o que vai acontecer daqui dois nãos, mas uma certeza eu tenho, a mesma caixinha eu vou conseguir utilizar tendo uma nova função em software. Portanto, essa separação do hardware e do software é muito importante, assim com a não dependência de um fornecedor único também é relevante para manter a saúde das empresas”.

Sandro Schleder: “Bacana, Fabricio! Primeiramente, eu queria agradecer vocês por participarem conosco. E muitas vezes a gente acaba se perguntando, além das pessoas nos perguntarem sobre fontes de informação. Onde vocês buscam suas fontes de informações para continuarem atualizados sobre os temas do dia a dia, que vocês consideram relevante para os empresários e para quem está assistindo? E agradeço muito a participação de vocês de aceitarem nosso convite para compartilhar um pouco desse conhecimento conosco”.

Eduardo Meirelles: “Hoje a gente se atualiza mais através do Networking, acabamos aprendendo um pouquinho com cada amigo, com quem está fazendo a diferença. Estou aprendendo aqui com o Fabricio, com o Sandro, então, a gente acaba aprendendo bastante dessa forma.

Eu acho que usamos de tudo um pouco, não tem muito o que fazer, mas usamos algumas fontes de revistas focados no setor.  Mas a minha maior fonte de informação, além de leituras, é isso aqui que estamos fazendo, fiz o Webinar que tem nos ensinado bastante. Brincadeiras a parte, mas a gente não imaginava que isso aqui daria tão certo, e hoje a gente da treinamentos, hoje online, a gente vê as grandes referencias do mercado fazendo Webinar e a gente tem aprendido bastante. Eu acho que essa fonte de informação é isso aqui, esse relacionamento que nós temos, pelo menos para mim, tem me ajudado bastante”.

Sandro Schleder: “Bacana, Eduardo! Obrigado pelas contribuições. Fabrício”.

Fabrício Goetz: “Legal! Primeiro, faço minhas as palavras do Meirelles. O Networking entre empresários, pessoas que trabalham no setor, é muito rico. O que eu comentei sobre a colaboração, eu acho que o mundo precisa disso. Nós somos competidores, eventualmente em determinados aspectos, mas outrora parceiros.

Então, fazendo uma brincadeira, na época de faculdade, quando alguém tinha alguma informação a gente escondia, não deixava ninguém ver, como se o conhecimento fosse algo valioso e eu não poderia compartilhar porque se não eu iria empobrecer se eu apresentasse para os outros.

Isso nós aprendemos com as outras gerações, hoje tudo é aberto, todo mundo compartilha, seja por vídeo ou publicações, ou seja, esse conceito de reter a informação para si é completamente ultrapassado. Então, o Networking é uma coisa muito relevante para a gente aprender mais.

Existem alguns fóruns internacionais e eu cito três deles: o Telecom Infra Project, a ONF – Open Networking Foundation e o Open Computer Project, que tem bastante dados, principalmente desses conceitos que eu passei superficialmente com vocês sobre liberdade de escolha, padrões abertos, conectividade e quais são as grandes tendencias do setor, tanto do ponto de vista dos fornecedores, quanto dos clientes globais em relação a essa tecnologia.

E de maneira humilde, nós da Venko Networks, nós temos o objetivo de não só ser um fornecedor de equipamentos ou soluções, mas também um habilitador dos provedores. Então nossa relação com os provedores é de potencializar o provedor para que ele cresça conosco, a gente quer sempre estar um passo adiante, trazendo tecnologias cada vez mais novas, a gente está buscando no linear da evolução.

Para isso, temos uma rede internacional de parceiros de excelente qualidade envolvidos com operadoras globais, e a gente da “o sabor brasileiro’, tropicaliza com as nossas características e realidade. Nossa forma de trabalhar é essa, a 4 mãos, junto com o cliente, fazendo com que ele aprenda e esteja habilitado trabalhar com seu cliente final em cima dessas tecnologias”.

Sandro Schleder: “Muito bacana! Nós tivemos a presença de Fabrício Goetz e Eduardo Meirelles, abrilhantando nossa live de hoje, do Prosper Talks, uma conversa bastante interessante sobre tecnologias e serviços que garantirão o futuro de seus negócios, sejam eles ISPs ou de outros segmentos. Então, muito obrigado pela participação de vocês.

Eu tenho um cliente que tem um recado muito interessante e conta um pouco dessa história. Nós fomos criados para compartilhar e mesmo isso seja feito com a melhor ideia possível, o mundo é feito daquelas pessoas que executam, ou seja, daquelas pessoas que tem a capacidade de executas, mas nós não temos a capacidade de fazer isso sozinhos.

Quem sonha sozinho, não executa. E a partir do momento que a gente pode compartilhar e ter um processo de colaboração, a gente consegue avançar bastante

Um grande abraço!”.

Fabrício Goetz: “Obrigado e sucesso a todos!”

Eduardo Meirelles: “Obrigado, Fabricio e Sandro!”

Fonte: Prosper Talks 

Imagem: Assessoria Prosper

Texto: Prosper Talks