18 de Janeiro, 2022

ISPs vão implantar 5G antes de grandes operadoras, diz Abrint

ISPs vão implantar 5G antes de grandes operadoras, diz Abrint

Segundo a entidade, a nova geração pode aumentar a competitividade do mercado de rede móvel; tecnologia também pode compensar desaparecimento da Oi Móvel.

A chegada do 5G neste ano trará diversas alterações no mercado de telecomunicações.

Um dos pontos a serem explorados será em relação aos ISPs vencedores do leilão da quinta geração, que estão se destacando na velocidade de instalação das redes, conforme declarou o conselheiro da Associação Brasileira de Provedores de Internet e Telecomunicações (Abrint), Basilio Perez.

Durante o leilão, provedores como Brisanet, Sercomtel e Algar arremataram frequência desde 3,5 GHz até as ondas milimétricas. Além disso, a provedora Winity será uma das detentoras da faixa de 700MHz.

Para o conselheiro, essas companhias terão mais eficiência e rapidez na instalação da tecnologia 5G, uma vez que os provedores regionais não possuem redes de outras gerações, como o 4G e 3G, diferentemente das grandes operadoras.

Isso faria com que os novos competidores largassem em vantagem em relação as grandes do mercado, pois sempre teriam a rede móvel de quinta geração disponível para o usuário final. Já as operadoras, disponibilizariam apenas as redes 3G e 4G aos clientes.

“Em questão de meses, vamos ter alguma surpresa muito interessante de pequenas operadoras atendendo cidades na frente de grandes operadoras”, afirma Perez.

O integrante do conselho de administração da Abrint também relatou que os ISPs que adquirirem os lotes terão tanto a capacidade  tecnológica, como também financeira, para implementar as redes em locais onde não tenham qualquer sinal da provedora.

Fim da Oi Móvel

O leilão do 5G pode fazer com que o aparecimento de outras operadoras que ofertem redes móveis compensem o desaparecimento da Oi - antes a 4ª operadora do Brasil. Vale lembrar que os ativos da operadora foram adquiridos pela Tim, Vivo e Claro.

Ainda assim, Perez salienta que serão necessários soluções para mitigar os executores da transação.

Nesse sentido, diversos pequenos provedores possuem contratos de roaming e transporte com a atual Oi Móvel. Conforme aduziu Perez, a companhia detinha uma maior flexibilidade para fechar contrato com os ISPs menores, enquanto as grandes possuem políticas mais complexas.

“A preocupação é que, com o desaparecimento da Oi móvel, se torne mais difícil esses contratos de roaming, principalmente, do que as empresas tinham com a Oi original. Cabe à Anatel ficar de olho”, complementa o executivo.

Consulta pública da regulação com postes

Publicado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a proposta para a nova regulação e compartilhamento de postos engloba diversos pontos a serem debatidos, opina Peres.

Um assunto a ser destacado é em relação a transferência das atividades de gerenciamento de postos a outra entidade, algo desejado pela Abrint.

Contudo, a maneira como a agência definiu isso será de outro modo, com  essa entidade não sendo completamente neutra. “Ela tem que ser uma empresa cujo único propósito comercial seja alugar espaço no poste”, afirma.

Peres também explica que gostaria que os preços fossem mais justos para cobrir os custos com esses ativos.

Ademais, o executivo afirma que o preço de referência por poste de R$ 3,19 (estabelecido há 6 anos) é falso. No período em que a média foi prenunciada, havia uma desigualdade nos contratos entre as provedoras e as grandes operadoras, o que aumentou a média. “Grandes operadoras e concessionárias pagavam R$0,67 centavos por poste, e pequenos provedores chegavam a pagar até R$ 20 reais”, disse.

Expectativa para 2022

Entre os ISPs, Basilio Perez vê uma tendência de consolidação que não irá extinguir por completo os menores dos provedores, uma vez que essas companhias têm como trunfo estarem próximos dos usuários. Assim, elas devem permanecer pequenas em seus devidos núcleos onde estão atuando bem e sem concorrência das grandes.

“Isso aconteceu em outros mercados, como o de supermercado, em que existem grandes redes de supermercados no Brasil, mas ainda tem o mercadinho da esquina”, exemplifica o conselheiro.

Fonte: Assessoria Prosper Capital com informações de Tele Síntese

Imagem: Freepik