06 de Janeiro, 2021

Mais de 2 mil transações de fusões e aquisições ocorreram só no período de Natal

187 bilhões de dólares foram negociados em fusões e aquisições, nas duas semanas finais de 2020, a partir de um total de 2.496 transações, no mundo todo.

Os dados, compilados pela Bloomberg, representam um recorde para o período e foram liderados pela compra da fabricante de software de gestão de propriedade RealPage pela firma de private equity Thoma Bravo, em operação de 9,6 bilhões de dólares. Outras transações de vulto foram a fusão da Dyal Capital Partners com a Owl Rock Capital Partners, resultando em uma gestora de ativos com 45 bilhões de dólares sob gestão, e a compra da Aerojet Rocketdyne pela Lockheed Martin, em acordo de 4,4 bilhões de dólares.

O movimento deu-se na esteira de um aumento na atividade que já se observava no terceiro trimestre de 2020 e destrava uma capacidade reprimida e um claro deslocamento do dinheiro para ativos corporativos, movimentando a economia após o represamento inicial da pandemia.

Na Europa, o Waterland Private Equity fechou o negócio de compra do Priory Group, rede de centros de saúde mental especializada no tratamento de celebridades viciadas em drogas por 1,1 bilhão de libras .

Também não faltou dinheiro no Brasil. Somente o setor de startups captou R$18 bilhões em 2020, superando o recorde de 408 rodadas de 2018 e atingindo 469, consolidando, assim, 2020 como o melhor ano para as novatas.

Segundo levantamento da Distrito, o volume de captação pelas startups brasileiras foi 17% superior ao de 2019 e 163 fusões e aquisições envolvendo startups ocorreram no ano passado, representando um crescimento de 154% sobre o volume do ano anterior. Fintechs foram o principal alvo dos compradores, em um total de 90 acordos e quase US$2 bilhões transacionados. 117 das 163 operações do ano ocorreram no segundo semestre, refletindo, como no resto do mundo, o movimento de ida às compras após o susto da quarentena, algo que deve se intensificar em 2021.

Segundo Dirk Albersmeier, corresponsável por fusões e aquisições globais do JPMorgan Chase, “os negócios estão crescendo em todas as regiões e setores” e há claros elementos de continuidade no ano que começou a reboque de um forte segundo semestre em 2020.

Especialistas como Selina Sagayam, uma das principais advogadas especializadas em fusões e aquisições na Grã-Bretanha, preveem que a implantação das vacinas contra a covid-19 ao redor do planeta e o acordo comercial finalmente selado entre o Reino Unido e a União Europeia são um bom presságio para o sentimento geral e, especialmente, para o mercado de fusões e aquisições, prenunciando ainda mais apetite por negócios em 2021.

Gustavo Gierun, cofundador da Distrito, segue o mesmo entendimento no Brasil, observando que, com a capitalização, as próprias startups deverão ir as compras, adquirindo concorrentes ou em busca de soluções sinérgicas, assegurando que “teremos, tranquilamente, 4 ou 5 anos de crescimento intenso de todo esse ecossistema pela frente”.

Fontes: Exame e NeoFeed

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